Campus Life


04/05
2016

Relato de uma mãe especial!


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Hoje no nosso post vamos dividir com vocês a história da nossa preceptora Sandra. Mãe da Priscila, do Paulinho e de todas as meninas do residencial feminino. Confesso que sempre ficamos impressionados com tanta alegria e tanto amor na vida dessa guerreira que resolvemos dividir isso com outras mamães e alunos que nos acompanham.


O desejo e o sonho realizado de ser: MÃE

Olá, eu me chamo Sandraelisa, tenho 42 anos e quero aproveitar a oportunidade para compartilhar com vocês um pouco da minha experiência como mãe. Sou mãe de três filhos. A minha primogênita nasceu no dia 20 de dezembro de 1997 e à ela dei o nome de Priscila que, na minha concepção um dos maiores e melhores presente que o Criador me concedeu para que pudesse realizar um grande sonho, o de ser mãe. Enquanto Priscila crescia, eu me questionava se o Senhor me concederia novamente esse privilégio para que pudesse reafirmar e aperfeiçoar em mim o dom do amor. Quando a Priscila completou 6 anos e por conviver com os primos e amiguinhos da igreja que tinham irmãozinhos ela começou a nos pedir que desse a ela um irmãozinho. E esse pedido tornou-se tão significativo, que combinamos que oraríamos e se o Senhor assim permitisse ela teria um irmãozinho ou irmãzinha. Oramos por 3 meses e no dia 18 de julho de 2004, após uma sequência de tonturas e fortes enjoos e mediante exames, eu recebi uma das mais divinas notícias: estava grávida.

A descoberta!
A alegria inundou meu coração por saber que o Senhor respondera nossas orações e por ver no rostinho de minha filha uma satisfação que nem cabia em seu olhar. Dois meses se passaram e chegara o dia em que faria meu primeiro ultrassom. A nossa preocupação não estava em descobrir qual o sexo do bebê mas em ver se tudo correria bem com nosso tão aguardado presente. A Priscila escolheu me acompanhar durante o exame.
Quando chegamos no consultório onde o exame seria realizado, fui tomada por uma sensação de nostalgia que me levou a derramar lagrimas que até hoje, ao me recordar, me emociono. O exame começou e após alguns minutos a notícia não esperada. A Priscila não ganharia um irmãozinho apenas, mas sim um casal de irmãozinhos. Que alegria!

O nascimento
Os meses se passaram e ao chegar no oitavo mês, pra ser mais preciso oitavo mês e seis dias. Os primeiros sintomas que me indicavam que a hora de dar à luz aos meus bebês havia chegado. A minha pressão subiu de repente e isso me preocupou, porém fui amparada pelo confiança em Deus e por uma equipe médica que entendeu a necessidade de fazer meu parto cesariano. Fui preparada para o parto e em 30 minutos pude ouvir o chorinho fraco do meu primeiro bebê e a alegria foi imensa pois recebia junto ao meu rosto a minha princesinha Paula que com um sussurro celeste tocou meu rosto com um gesto de carinho. Dois minutos depois, meu principe Paulo veio ao mundo e me presenteou com seu choro um pouco mais forte que o da pequena Paula. Esse foi um momento muito sublime em nossas vidas. Então, Os dias se passaram! E Durante um período não pude ver meus bebês e quando questionava o “por quê? “, as enfermeiras me explicavam que como eles nasceram prematuros, precisavam tomar medicação para fortalecer os pulmões mas logo que estivessem mais fortes, eu os receberia para ficarem junto comigo.No terceiro dia de vida dos meus bebês, recebi o Paulo para amamentá-lo e cuidar dele mas a Paula não fora liberada para ficar no quarto comigo, então a tristeza invadiu meu ser e percebi que algo de errado estava acontecendo.

Princesa Paula!
Ao ir até o quarto onde ficavam as crianças prematuras de baixo risco, pude ver minha princesinha na emcubadora. Queria tê-la comigo. Queria pegá -la nos braços, beijar seu rostinho e amamentá-la, mas qual não foi minha surpresa quando a olhei fixamente enquanto dormia? Eu havia notado que minha princesa aparentava características de crianças com Síndrome de Down. Perguntei para a médica que a acompanhava ali naquele quarto e ela me confirmara que seria mãe de um bebê especial. Foi ai que minha luta começou, pois no momento senti que não seria merecedora desse privilégio por me achar incapaz de cuidar de alguém tão especial, mas a equipe que acompanhava o caso me deu muito apoio e algumas orientações necessárias para o momento. Foram longos 15 dias entre idas e vindas à hospitais, exames. Finalmente pude cuidar da minha princesa como gostaria. Fui estimulando-a a mamar em meu peito e logo ela se tornou uma linda bebezinha saudável e muito esperta. Com 2 meses de vida ela começou a fazer estimulação precoce na APAE de Ilha Comprida e seu desenvolvimento rápido e satisfatório foi motivo de muita alegria para nós familiares e para os profissionais que se dispuseram a acompanhá -la.

A dor da perda e a esperança do reencontro.

Dois anos haviam se passado e a Paula foi chamada para fazer uma cirurgia no coração para corrigir a Tetralogia de Fallot, deficiência cardíaca que a impedia de realizar qualquer atividade que precisasse de um esforço físico maior. Durante a cirurgia, ela sofreu uma parada cardíaca o que causou uma lesão no cérebro e comprometeu seus movimentos e fala.
A Paula ficou internada por 4 meses e no terceiro dia após ter recebido alta, ela faleceu em meus braços após apresentar uma falência múltipla dos órgãos.
Contar minha história com todas as riquezas de detalhes, daria um livro por isso resumi e se um dia tiver tempo terminarei de escrever meu livro “Diário de uma mãe especial”.
Hoje fazem 8 anos, 10 meses e 27 dias que ela descansou nos braços de Jesus.
Cada dia vivido por mim é regado pela esperança de que muito em breve nos reencontraremos e não precisaremos mais dizer adeus. As lágrimas que rolam em minha face servem para regar essa esperança ajudando-me assim a cultivar dentro do meu coração o sonho da vida eterna.

(In memoriam de Paula Silva Monteiro dos Santos -27/02/2005-08/07/2007).

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Princesa Paula

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Tia Sandra, obrigada por compartilhar tanto amor, tanta força e tanta alegria com a gente! Você inspirou nossa vida!